O espelho e o tornar-se

Talvez seja a hora de vomitar um novo mundo. Obviamente, você mesma não sabe do que se trata. A maioria das vezes vem como um lampejo de vida. É mágico não pensar, mesmo  ao que mais te exige uma história. Mas de um jeito ou de outro, Sally vai nascendo e, com ela, todos os outros personagens.

Ouço uma música que não entendo, ouço vozes que não conheço, me torno borboleta. Me torno vida, me torno escrita, me torno prazer.  E tudo mais que não se pode mensurar. Meus dedos correm suave e densamente no que me torno e no que escrevo. A metalinguagem sempre foi uma de suas maiores marcas, Sally.

Sally se vê num balanço de um parque. Seus dedos se contraem contra as correntes metálicas que sustentam o pneu pintado de vermelho. Os ares leves de inocência e magnitude desenham em seu rosto um largo sorriso. Sally ainda não descobriu o por que de sua visão. Ela mal sabe se realmente está lá ou se está sonhando.

O que será que Sally está fazendo?  Quem é Sally ao se ver no espelho? Ao mesmo tempo em que ela vê o seu reflexo, ela percebe que está sendo vista. Pelo que seria o reflexo do espelho?  Pelo que seria Sally de frente para algo? Sally pensa em atravessar o espelho. Ela não se vê reflexo. E, de repente, Sally se vê dentro de uma sala repleta de espelhos. Ensaia movimentos tímidos com a cabeça, em seguida levanta uma perna devagar. Enxerga o que nunca viu antes, fecha e abre os olhos lentamente, abaixa a perna no mesmo ritmo e então, ela resolve se aproximar. Do espelho. Ela o toca com a mão esquerda que lhe parece direita. Pisca os olhos, como se tomada por um torpor de inquietude, eles se reviram por completo. É impassível de interpretação o que ela sente agora. É apenas sentimento. Ela olha fundo em seus próprios olhos, refletidos em tantos lugares. Sua alma parece percorrer todos… os lugares. Ela está tomada de si, ela está tomada de vida, ela é só intensidade.

Sally, você superou suas próprias marcas? E todo aquele sofrimento que lhe tomou por tantos anos? Por que está de volta, Sally? “Dear Sally, this is not the way…” Sally encontrou a vida que achava que tinha perdido, ela sempre esteve aqui. Assim como o seu reflexo. Numa ordem disjuntiva, numa não-ordem. Eis que ela ressurge de todo tipo de penhasco. Sally está de volta. E cheia de vida. Ela reluz e. Brilha.

1 Comentário

Arquivado em Rafaela Uchoa

Uma resposta para O espelho e o tornar-se

  1. salete

    ADOOOORRREEEIIIIII…. BEIJOSSSSS

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